25 março, 2009

Minha bagunça


Hoje passei pelo o dia e o dia passou por mim. Acho que estar com a costa cheia de curativos com coisas que podem ou não me dar alergias, ajuda . Passei o dia torcendo pra chegar a hora de ir à médica tirar esse negócio!No final das contas, ela só tirou uma parte e amanhã, é tudo de novo.

Estou tentando descobrir o que o meu corpo repele, estranho não saber isso por mim mesma. De tarde, algumas horas antes de ir embora, enquanto ficava vendo as horas passar, entre um trabalho e outro, decidi acompanhar, dentro do possível, as sensações, pensamentos e interjeições que me vinham a mente. Elas não estão necessariamente ligadas umas as outras, mas eu também não ousaria dizer que são independentes, mas foram surgindo a medida que eu me cansava, era chamada por alguém ou derramava um copo de água na mesa.

Essa é a minha bagunça de hoje às 16:00. Muitas coisas só acho na minha bagunça...se alguém mexe e arruma, eu fico perdida.


Satisfação, contentamento, plenitude. Ação, cansaço, decisão, atitude.Saco, mudança, caminho, preguiça, sono, sonho,estrela, lua, casa, minha,lugar, saudade.
Perguntas, incerteza, insegurança, melhor, raiva, nojo, tédio,dor, coceira,amigos, saúde, médico, resultado, dor,.
Inércia, vazio, sede, seco, vontade, vitória, v.

Medo, vergonha,desconhecido, fim de semana, aprender, fazer, dormir.
Curiosidade, ciúme, carinho, recompensa, distancia.
Sorriso, piada, palhaçada, ajuda, conquista, cuidado. Simpatia, gentileza.
Dor de novo, incomodo, pressa, ansiedade.
Chateação, abuso, tristeza, decepção.
Ai! Droga.
Nada. nada. ummmm....ansiedade, médico, casa.
Final.

17 março, 2009

Pensamentos no dia


Clodovil morreu hoje. E sem discutir quem ele foi ou que fez, me chamou atenção a notícia que a decisão sobre a doação de seus orgãos e detalhes de organização do velório foi dos seus assessores políticos, pois não havia ninguem próximo, nem mesmo familiares para fazer isso. Pensei sobre isso.

Hoje a tarde, vagando um pouco por alguns blogs desconhecidos, li um post de uma mulher que chorava por não tem por quem chorar.

Acabei de entrar no site do Neto e li um post sobre o Pequeno Principe (assim que terminar o Castelo de Vidro, leio de novo esse livro). Pensei de novo.

Cativar e ser cativado, criar laços, ritos, tempo....a cor do trigo.

Hoje troquei inúmeros e-mails sobre absolutamente nada com amigos que transformaram " a cor do alumínio" ..rsrs, desculpem pelo trocadilho óbvio.

E agora estou aqui sentindo tudo isso, tudo tão misturado que não pretendo organizar.

Não cativo com muita facilidade e nem sempre invisto o tempo necessário pra isso.Principalmente quando lembro das pessoas que hoje me cercam de perto ou de longe, as vezes acho que elas me bastam, de tão especiais que são. Mas não é assim não. Há sempre mais do que imaginamos.

Às vezes dá preguiça, confesso. Mas o que me surpreende é o esforço que se faz pra encontra pessoas que sejam solos disponíveis, não para uma brincadeira só, mas para raízes. Jesus poderia estar falando disso também na parabóla do Semeador, por que não?

Nem de longe estou me queixando. Encontrei terras e terrenos maravilhosos. Comecei falando em cativar e terminei cultivando, é Neto, acho que uma coisa tem a ver com a outra sim!

Não ter alguém que saiba suas manias, chatisses, que conheça sua história, seus risos, choros, deve doer. Não chorar por alguém, não ter saudades sem fim, não ficar ansiosa pela chegada, deve doer, doer gelado.

Não sei quantas pessoas ainda me cativarão e quantas eu ainda cativarei, o jeito é viver pra ver.


Roubei o trecho do Pequeno Príncipe que estava no blog do Neto (vale a pensa passar lá pra ver). lindo.



XXI
E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.